Rotas: A Veneza portuguesa

Há cidades que não se visitam, escutam-se. Aveiro é uma delas. O som que a define não é o ruído das buzinas nem o passo apressado das multidões, é o deslizar dos moliceiros sobre a água, o murmúrio das marés que se misturam com o tilintar das bicicletas.
Voltar a Aveiro é como regressar a uma canção antiga: familiar, mas sempre diferente. Há um compasso entre as fachadas de azulejos e o reflexo colorido que o canal devolve. Há o cheiro doce dos ovos moles, que parece colar-se à memória. E há o vento que vem da ria, leve e teimoso, a lembrar que o mar está sempre por perto, mesmo quando não se vê.
Passear por aqui é andar entre dois tempos: o das casas que resistem, com janelas que contam histórias, e o de um presente que se reinventa entre cafés, galerias e risos de estudantes. Em Aveiro, a água é espelho, e o viajante é sempre convidado a olhar-se nele, talvez para perceber o que ficou por dentro de cada partida.
No fim do dia, quando a luz se inclina e tudo ganha tons dourados, há um instante em que a cidade parece suspensa, e é aí, nesse silêncio breve, que percebo porque lhe chamam a Veneza portuguesa. Não é pelos canais. É pela beleza discreta de quem vive entre o reflexo e a realidade.

Hoje vou vos mostrar um pouco da história da nossa bem amada princesa do Alentejo.